terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Caatinga Nordestina - Municipio de Solânea, PB

Cenas da Caatinga nordestina. Esta imagens mostram a "mata branca" no período de estiagem. 

Açude Cacimba da Várzea




Sangradouro do Cacimba da Várzea








Criação de tilápias no açude Cacimba da Várzea











A Nova Jerusalém: a Cidade de Deus, de Cristo - Parte 08


Quem entrará e quem ficará fora (Ap 22,8.15).



“Quanto    aos covardes, porém, e aos infiéis, aos corruptos, aos assassinos, aos impudicos, aos magos, aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua porção se encontra no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte” (Ap 22,8); “Ficarão de fora, os cães, os mágicos, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam ou praticam a mentira” (Ap 22,15).
    Paulo tem exortações semelhantes quanto à responsabilidade diante da salvação, e classifica os que se condenarão: “Por isso Deus os entregou a paixões aviltantes: suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza; igualmente os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejo uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmos a paga da sua aberração. E como não julgaram bom ter o conhecimento de Deus, Deus os entregou à sua mente incapaz de julgar, para fazerem o que não convém: repletos de toda a sorte de injustiça, perversidade, avidez e malícia, cheios de inveja, assassínios, rixas, fraudes e malvadezas; detratores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes, fanfarrões, engenhosos no mal, rebeldes para com o pais, insensatos, desleais, sem coração, nem piedade”(Rm 1,24-31).
Os livros sibilinos apresentam uma lista com algumas mudanças dos condenado 
(ver Tabela I):



As principais listas de excluídos do Reino no Novo Testamento (ver Tabela II):





(Continua no próximo post)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Nova Jerusalém: a Cidade de Deus, de Cristo - Parte 07


A Cidade de Cristo no Ap 23-50.




O Ap 23 usa o mesmo arquétipo do autor do Apocalipse. Paulo é conduzido por um anjo para visitar a cidade de Cristo. Semelhante aos relatos mitológicos da segunda vida na religiosidade egípcia, a nova cidade está depois do grande rio, ou do outro lado do lago Aqueronte.
   
 Um fato peculiar e próprio dentro do quadro do Apocalipse é que os habitantes da cidade de Cristo se alegraram ao verem Paulo chegando. O texto não explicita porque esses habitantes se alegraram. Mais adiante, quando o vidente encontra os profetas junto ao rio de mel, também é recebido com carinho e ele pergunta ao anjo que o conduz a razão de tanta deferência, e o anjo responde que é para todos os que renunciaram a vontade própria para fazer a vontade de Deus que são bem recebidos (Ap 25).


Descrição da cidade

A cidade de Cristo tinha 12 muros, 12 torres e 12 portas, cercada por quatro rios: o rio de mel, rio de leite, rio de vinho e rio de óleo.
A cidade que Paulo vê é de ouro puro, isto é, a realeza por excelência, a realeza perfeita, também construída com doze muralhas e doze torres, mas essas não estão nomeadas ou determinadas. Apenas que em cada torre há um estádio de um muro ao outro (185m.). Essa distância corresponde à distância entre o Senhor Deus e os homens (Ap 23).
A novidade na cidade de Cristo é que é circundada por quatro rios: um rio de mel, um rio de leite, um rio de vinho e um rio de óleo. Cada rio tem um nome próprio: o rio de mel é o Pison, o rio de leite é o Eufrates, o rio de óleo é o Guion (ou Gyon), riacho ao sul de Jerusalém, onde Salomão foi ungido rei por Natã e Sadoc, por isso rio do óleo
 (1Rs 1,32-40). O rio de vinho é o Tigre.


Quem Paulo encontrou junto a cada rio?

a) O anjo conduziu Paulo junto ao rio de mel (Pison) e lá viu Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós, Miquéias e os profetas maiores e menores. Então o vidente perguntou ao anjo que lugar era aquele, e o anjo retrucou: este é o caminho dos profetas e todos os que renunciaram a própria vontade para fazer a vontade de Deus. E eles saudaram Paulo (Ap 25).
b) Em seguida o anjo conduziu Paulo ao rio do leite e lá encontrou todas as crianças que Herodes matou. E o anjo acrescentou: todos os que guardam a castidade e a pureza, quando saem do corpo são entregues a Miguel para que as conduza até esse lugar e as crianças as saúdem. E elas saudaram Paulo (Ap 26).
c) O nosso vidente foi conduzido pelo anjo à parte norte da cidade (o Tigre corre mais ao norte, junto à Assíria antiga) e lá encontrou Abraão, Isaac, Jacó, Ló e Jó. Ele perguntou ao anjo quem eram eles, e o anjo respondeu que foram aqueles que exerceram a hospitalidade. Eles estavam junto ao rio de vinho. O vinho é o símbolo da festa, da alegria e da hospitalidade (Ap 27).
d) E o quarto lugar foi o rio do óleo, no lado oriental da cidade. Lá havia homens cantando. E o anjo disse ao vidente que esses eram aqueles que se haviam empenhado no louvor ao Senhor e não tinham orgulho neles mesmos (Ap 28).

(Continua no próximo post.)


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Nova Jerusalém: a Cidade de Deus, de Cristo - Parte 06


A descrição da cidade no Apocalipse.






    A cidade celeste é preciosíssima como uma pedra de jaspe cristalino (21,11).
    A nova cidade tinha doze portas e doze alicerces. A maioria dos autores e mesmo as concordâncias bíblicas colocam essa descrição das doze portas e seus nomes em sintonia com Ezequiel 48,30-35. Ainda que possa haver uma analogia simbólica, em  Ezequiel não se trata de uma cidade celeste, mas da reconstrução da Jerusalém histórica. Parece haver uma diferença conceitual bastante significativa, visto que o profeta  Ezequiel, situado no exílio, sonha com a reconstrução da cidade histórica de Jerusalém, enquanto o vidente João transfere toda a percepção para outra realidade, ou seja, uma cidade onde não haja mais possibilidade de destruição, de dor ou conflitos. Ela será a cidade de Deus com o seu povo, isto é, todos os povos. Essa visão é includente, pois Deus será Deus e o povo será o povo, não mais segregado, mas unido. Assim, nos doze portões estarão inscritos os nomes das doze tribos de Israel (21,12), mas a muralha tinha doze alicerces e neles estavam os nomes dos doze apóstolos (21,14). De modo análogo aparece o texto do Ap 7,1-17 apresenta uma visão da salvação inclusiva, em duas partes.       Todos os que tiverem praticado a justiça dentre as doze tribos estarão salvos, e a grande
multidão, que ninguém podia contar, de todos os povos, tribos, línguas e nações que adoraram o Cordeiro e por ele lavaram suas vestes no seu sangue.
    


    O Apocalipse se afasta das visões proféticas veterotestamentárias enquanto ele entende que uma cidade de Deus não se sujeita a interpretações culturais, históricas ou alinhavadas no tempo. Deus transcende a História, os povos e as culturas, dessa forma a referência às doze tribos ou aos doze apóstolos é apenas uma questão de compreensão humana para a superação das barreiras segregatórias criadas pelas culturas e crenças.
    João, o vidente, tem diante de si uma realidade escatológica. Se Deus vai enxugar toda a lágrima e numa mais haverá choro ou luto (Ap 21,4; cf. Is 25,8; 35,10; Ez 37,27), então o “vale de lágrimas” estará terminado para os que vivem a justiça e a fidelidade aos mandamentos (Ap 13,15-17).
    O acesso a essa cidade não será mais estabelecido pelos circuncisos no corpo ou pelos geneticamente perfeitos, mas pelos que foram fiéis ao Cordeiro, pois o Immanuel (Is 7,14) será o Deus com eles (Ap 21,3). Essa cidade não encontra similaridade na terra, por isso é a cidade de Deus. Assim, a longa e tortuosa história chegaria ao fim, a humanidade está de volta à casa do Pai, o paraíso.
    A nova Jerusalém de João não está no horizonte de qualquer antítese senão a própria Jerusalém terrena. Todo o sentido da nova cidade está voltado para a adesão a Cristo, ao seu Evangelho: “Se alguém está em Cristo é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas, eis que se fez realidade nova” (2Cor 5,17).

(Continua na parte 07)