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CEMITÉRIOS

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Naquele último jazigo não há quem profira palavra alguma. A lua fria amarelada (gema de ovo), repousa então lúcida e dormente. Não ouço vozes, não vejo vulto naquele campo onde o silêncio arquitetou sua morada. Nada de vento gélido assoviando ou almas de mão geladas me apalpando. (Sem arrepios, sem tremores, sem suor frio). Apenas silêncio, repouso, descanço... Eterna sesta que não finda nunca. Cursos 24 Horas Cursos 24 Horas - Cursos Online Cursos On line - Cursos 24 Horas

Seis Horas

São seis horas quando bate o sino. É quando voltam para casa O rico e o pobre, O pequeno e o grande. Então os seus sonhos se esfumaçam E onde os próprios se acabam. Se acabam no final do dia e com o dia. É a hora quando surge o sonhador E eu fico meditando: "se Nosso Senhor Não tivesse criado a noite cheia de estrelas E de escuridão sem fim, e de calmaria?" Então não se poderia sonhar Porque a vida seria um dia sem fim. Um dia apenas de duras realidades, Um dia em que morreríamos Porque não poderíamos sonhar. Eu tenho certeza que aquele interminável dia Torna-se-ia numa imensa noite Para todos os viventes... E nunca saberíamos como sonhar, Jamais sonharíamos com o amanhã.

Espinhos

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Às vezes vejo-me impotente entre os espinhos num imenso emaranhado de pontiagudas emoções. Luto para extirpar da alma este tormento... meus anseios convulsionam-se perdidos no fim dos meus dias. Verei algures um túnel iluminado? Um raio de esperança? Ou um "fio de ariadne" para guiar-me? Entorno a alma vazia de soluções perante mim, e revolvo-me agonizando nestes espinhos do meu viver. Eu nunca os desejei, mas aí estão. Jamais os invoquei, porém na noite escura me acharam. Ocultei-me no meu eu mais profundo e os pavores me cercaram, e os espinhos pontiagudos me encontraram finalmente.