quinta-feira, 29 de março de 2012

Video Tutorial - Como inserir tercinas no Encore

domingo, 25 de março de 2012

ESTUDO BÍBLICO


      Entre a Fé e a Razão

 

Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. Tiago 1:6

A fé tem uma inimiga declarada: a dúvida. Essa palavra no grego se traduz como “diakrino” (strong 1252) significando: separar dois elementos, componentes ou valores. Também sugere hesitação entre esperança e medo. Dúvida gera conflito, incerteza.  Apostolo Tiago compara um coração duvidoso as ondas no mar, levadas de uma direção a outra pela força do vento Tg 1:6. Na filosofia, dúvida é principio de sabedoria,  porque através dela se estabelece  métodos que conduzirão  a respostas concretas. Descartes é o criador da  “duvida metódica” que sugere duvidarmos de tudo para enfim chegarmos  a certeza das coisas: “penso, logo existo”, é a máxima do pensamento cartesiano, que coloca a razão no centro do viver. "Eu duvido, logo penso, logo existo". 

E atribuir à razão, o cerne do existir, foi submergir Deus na história. O pensar, deveria ter por base, o concreto, e este, deveria ser distinto de tudo quanto era tido por verdade - Deus, que Deus? - Eis aqui o conflito que perdura por séculos e que fez fé e razão se tornarem opositoras. Ciência quer provas concretas. Fé se fundamenta no invisível: “ora a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” Hb 11:1. Enquanto a ciência necessita da dúvida, a fé a rejeita: ela é como areia movediça, terreno perigoso, prestes a devorar o morto. Fé não habita onde houver dúvida. Eis a loucura da Cruz, o mistério do Evangelho.

“Porque a Palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está ó sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor desse século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?.” I Cor 1:18-20.

Deus é uma questão de fé. Fé não duvida, ela tem certeza, mesmo diante do invisível. E esse invisível, é tão verdadeiro para os que têm fé, que passa a ser concreto. Se ele é concreto, é prova. Se é prova, é real, é inquestionável. “De fé em fé se descobre a justiça de Deus, porque está escrito: o justo viverá pela fé” Rm 1:17. Viver pela fé, significa ser elevado, acima do possível. Fé é um universo eterno, onde habita o coração dos crentes. Esse coração  convive com a graça Divina, e  recebe também do que é Divino. Fé, se firma no túmulo vazio de Jesus. Na cruz que outrora O sustentou, mas que agora se ergue sem Ele, que ressuscitou! Na fé, é Ele quem nos sustenta.

 “E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas sentindo o vento forte, teve medo; e começando a ir para o fundo, clamou dizendo: Senhor, salva-me. E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o e disse-lhe: homem de pequena fé, por que duvidaste?” Mt 14:29,31
 
Tenha fé, não duvide em seu coração. Onde houver dúvida, é impossível que haja fé. Acredite em todo o tempo, mesmo que não haja circunstâncias para isso. Firme-se na Palavra viva e eficaz que é Jesus, Ele estará segurando suas mãos para que ande sobre as águas. Mas não duvide. Pedro duvidou e afundou.  Se a dúvida também  tivesse entrado no coração de Abraão, ele não teria sido o patriarca das nações, de crentes. Jamais teria sido tão abençoado! Deus lhe disse: “Abraão sai da tua casa e da tua parentela, para um lugar que eu te mostrarei” Gn 12:1. Ele poderia ter  hesitado, temido, desistido, diante do desconhecido. Mas a fé, é a prova do que se não vê e ele tão somente confiou. Segurou nas mãos de Jesus e seguiu em frente. Nenhuma chance à dúvida.

Hb 11:8 Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. 
 
Não posso deixar de dizer sobre a importância de não menosprezarmos a ciência. Se ela é razão, devemos utilizá-la para compreender a vida. Tiremos a razão, quanto ciência de nosso quotidiano, e ficaremos desnorteados porque Deus fez o mundo com uma ordem tal que tudo funciona perfeitamente. Ele criou a ciência como lógica sustentável. O cientista Albert Einstein, fascinado com as descobertas sobre o Universo falou: “Deus não joga dados com o mundo”. Ou seja: A criação não é aleatória. A ciência nos orienta na compreensão das coisas. Nós somos ciência. Seres assombrosamente bem planejados! E temos um espírito. Somos fé. E a fé é a direção de uma vida melhor, de salvação e eternidade. Em assuntos de fé, não cabe dúvida. Em assuntos de ciência, ela é necessária, a dúvida, move as pesquisas. 
 
Eis um trecho das Escrituras que define perfeitamente a importância da fé e da razão: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:1-2“. Nosso culto deve ser racional, pensado, lógico, equilibrado. Nisso cabe a dúvida, para que possamos ponderar a maneira certa e errada, sermos críticos e não nos deixarmos levar por engano. Agora, na medida que conhecemos, a fé aumenta e a dúvida se vai. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus” Rm 10:17. Essa é a fé que não duvida, aquela que conhece a Deus.
 
Conhecer a Deus é não duvidar de que Ele sempre fará o melhor por nós. II Tm 1:7: "porque Ele não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza e de amor e de moderação." No silêncio, na alegria, na dor, em todos os momentos de nossa vida, tenhamos a certeza de que Deus cuida de nós, para além do que possamos compreender. E nós nem sempre precisamos compreender, mas crer. Essa é a fé que vence o mundo. 


sábado, 3 de março de 2012

O EVANGELHO E O SERVO INÚTIL!...



 
O EVANGELHO E O SERVO INÚTIL!...

Jesus nos apresenta dois contextos nos quais a idéia de Servo Inútil aparece.
O primeiro é o de Mateus:
Porque isto [...] é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos,
 e entregou-lhes os seus bens.
 E a um deu cinco dinheiros, e a outro dois, e a outro um; a cada um segundo a sua capacidade; e,
 depois disso, ausentou-se logo para longe. 
Ora, tendo ele partido, o que recebera cinco dinheiro negociou com eles, e ganhou outros cinco.
 Da mesma sorte, o que recebera dois, que veio a ganhar também outros dois. Mas o que recebera
 um, foi e cavou na terra
 e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles!...
Então [...] aproximou-se o que recebera cinco dinheiros, e trouxe-lhe outros cinco dinheiros, 
dizendo: Senhor, entregaste-me cinco;
 eis aqui outros cinco dinheiros que ganhei com eles.
E o seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito
 te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
Chegando também o que tinha recebido dois dinheiros, disse: Senhor, entregaste-me dois;
 eis que com eles ganhei outros dois.
Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito 
te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu Te conhecia,
 e sei que és um homem duro, que ceifas onde não 
semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e, atemorizado, escondi na
 terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Servo mau e negligente
; sabias [?] que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? 
Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, 
receberia o meu com os juros.
Tirai-lhe, pois, o dinheiro; e dai-o ao que tem os dez. Porque a qualquer que tiver 
será dado, e terá em abundância; mas ao que não
 tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.
Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

A segunda afirmação de Jesus sobre o Servo Inútil está em Lucas:
E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do
 campo, diga: Chega-te, e assenta-te à mesa?
 E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me até que tenha comido 
e bebido, e depois comerás e beberás tu?
Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? 
É certo que não!
Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, 
dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.

No evangelho de Mateus a idéia positiva, a que faz um Servo Bom, é 
a confiança na Graça e a gratidão pelo privilégio de 
ser quem se é para Deus; sem medo de expressar e aumentar o dom 
da Graça em nossa vida; o que significa viver
 a plenitude de nossos dons, talentos, recursos e possibilidades; 
sendo que a ênfase recai sobre a alegria no servir como
 vida e do viver como serviço que dá sentido ao existir.
Já o Servo Inútil recebe um severo castigo...
E quem é esse Servo Inútil conforme Jesus declarou em Mateus?
Ora, é aquele que crê em Deus com raiva de Deus; e que projeta
 em Deus sua própria raiva de ser e existir; e que
 apenas crê em Deus como um fato inegável, porém desgraçado; visto
 que tal Deus é por tal pessoa visto como 
cruel e inimigo da alegria e da aventura de 
ser e crer; e, por tal razão, essa pessoa transfere para Deus sua própria
 visão mesquinha da vida, buscando assim
 não perder o que seja de Deus; porém, sem entender que o que Deus
 quer não é o dom que Ele deu, mas sim
 que a pessoa cresça conforme a confiança que tenha no fato de que Deus
 é amor, e também quanto à realidade 
de que Ele nunca dá sem que peça depois, e também nunca pede mais
 do que a capacidade de cada um de desenvolver.
Aqui em Mateus o que faz um Servo Inútil é a Amargura que se
 faz transferir para Deus e para a vida!
Sim! Pois toda amargura é paralisante!...
Já no evangelho de Lucas o Servo Inútil é aquele que é pago para fazer
 as coisas, mas, ainda assim, quer que ao chegar 
de suas tarefas o patrão se levante para agradecer!
Sim! Trata-se daquele tipo de assalariado que nunca é voluntário
 para nada, mas que deseja que o Patrão seja
 grato por ele fazer apenas aquilo que é pago para fazer!
Assim, em tal caso o Servo Inútil é o Funcionário do Bem, mas que nunca
 é Voluntário do Bem!
O Servo Inútil [ou] esconde com raiva a chance de servir... [conforme Mateus];
 ou, então, é aquele que acha que a vida
 tem uma divida para com ele; portanto, realizando ele apenas o que lhe
 for mandado como tarefa de um salário, mas
 sem jamais se oferecer para a vida
 como um voluntário; sem cheque list, porém checando a vida e se dispondo
 a servir sem pensar em recompensa.
Desse modo o Servo Inútil é aquele que recebe o dom da Graça e o 
enterra sob a alegação de que servir a Deus é
 coisa dura e arriscada; ou, então, é aquele que serve a Deus e à vida
 na esperança de ser visto como herói de algo
 que nada mais é do que mera obrigação; ou seja: de algo cujo 
pagamento é a Graça de fazer.
Servo Inútil é todo aquele que diz:
“Não fiz nada, mas não atrapalhei... Afinal, Deus é duro!”
Ou então:
“Fiz tudo o que me mandaram. Recebi muito por isto. Mas onde está o reconhecimento?...”
Os amargurados fazem a primeira declaração com muito orgulho...
Os narcisistas, legalistas, justicistas e auto-referentes fazem a
 segunda declaração com cobrança ingrata...
Acerca de ambos os casos e espíritos [...] Jesus apenas diz...
Mateus:
Tirai-lhe, pois, o talento; e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer
 que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao
 que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.
Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Lucas:
Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos
 servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.
Agora veja...
Se você não oscila entre dias nos quais você esconde a Graça com
 raiva de Deus por mera amargura contra a vida...
Ou, então...
Veja se você não é daqueles que fazem a obrigação que é remunerada 
com Graça inefável, e, ainda assim, desenvolve 
expectativas que o Patrão da Vida não dispensará a você jamais...
Amargurados e Narcisistas não ganham nada de Deus!
O Servo Bom é aquele que se sabe tão inútil, que, por tal razão,
 vê em toda chance de servir algo que é apenas 
um Indizível Privilégio!

Nele, que assim disse que é,

Caio
17 de janeiro de 2010
Lago Norte
Brasília
DF

Extraído de:
http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=05717