quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Nova Jerusalém: a Cidade de Deus, de Cristo - Parte 05


Os Novos Céus e a Nova Terra em Is 65,17-25




    A descrição dessa nova realidade, em Isaías, apresenta uma aproximação com o Apocalipse 21-22, mas não se trata de uma cidade, e sim, de algo totalmente novo, uma nova ordem das coisas, uma nova criação, novas criaturas sem pecados e sem males:
“17 Com efeito, criarei novos céus e uma nova terra, as coisas de outrora não serão lembradas, nem tornarão a vir ao coração. 
18 Alegrai-vos, pois, e regozijai-vos para sempre com aquilo que estou para criar: eis que farei de Jerusalém um júbilo e do meu povo uma alegria. 
19 Sim, regozijar-me-ei em Jerusalém, sentirei alegria em meu povo. Nela não se tornará a ouvir choro, nem lamenta-ção. 
20 Já não haverá ali criancinhas que vivam apenas alguns dias, nem velho que não complete sua idade; com efeito, o menino morrerá com cem anos e o pecador só será amaldiçoado aos cem anos. 
21 Os homens construirão casas e as habitarão, plantarão videiras e comerão os seus frutos. 
22 Já não construirão para que outro habite a sua casa, não plantarão para que outro coma o fruto, pois a duração da vida do meu povo será como os dias de uma árvore, meus eleitos consumirão eles mesmos o fruto do trabalho das suas mãos. 
23 Não se fatigarão inutilmente, nem gerarão filhos para a desgraça; porque constituirão a raça dos benditos de Yahweh, juntamente com os seus descendentes. 
24 Acontecerá então que antes de me invocarem, eu já lhes terei respondido; enquanto ainda estiverem falando, eu já os terei atendido. 
25 O lobo e o cordeiro pastarão juntos, o leão comerá feno como o boi. Quanto à serpente, o pó da terra será seu alimento. Não se fará mal, nem violência em todo o meu monte santo, diz Yahweh” (Is 65,17-25) *(9).


    Um ponto importante na utopia de Isaías é que as coisas velhas não virão mais ao coração. O que seriam essas coisas do passado? Seriam apenas os males, as dores, a violência, ou trata-se de saudades de coisas perdidas, do apego ao tempo e ao espaço? Se a média de vida na Palestina era de 42 anos, como se podia aplicar uma pena ao culpado só aos cem anos? O salmista afirma que era um fato notável quando alguém chegasse aos oitenta anos (Sl 90,10).
    O profeta vai além de um sonho histórico, de uma realidade política e de ambições nacionalistas. O lobo nunca comerá capim, mas não exercerá agressividade contra o cordeiro. A nova criação será sem os males dessa que ali está, que o profeta vive, que experiencia e conhece. É um olhar distante, uma realidade no além.


A Cidade de Deus (a Nova Jerusalém) no Ap 21-22.





    O Ap de João 21,1 fala de um novo céu e uma nova terra como sendo uma visão, em continuidade à seqüência de visões do autor, desde 4,1 em diante. . Pode-se, na verdade, falar de uma visão única no Apocalipse à qual se manifesta em etapas. Desde que o vidente é chamado a subir aos céus (Ap 4,1) até à conclusão do julgamento (Ap 22,15).
    O primeiro céu e a primeira terra já não existem (Ap 21,1), por isso, a Jerusalém celeste desce dos céus pronta como uma esposa enfeitada (Ap 21,2-3), ela desce dos céus de modo totalmente surpreendente, sem que os convidados saibam como está vestida, quem a acompanha ou onde vai se instalar.
    A Jerusalém celeste terá apenas o nome de Jerusalém, mas será uma cidade com um contexto totalmente diferente. Ela nada tem da Jerusalém histórica, situada em Israel atual.
    Nosso autor está fazendo uma releitura de sentido de tudo quanto consta em torno da Jerusalém atual. Ainda que o autor possa ter tido alguma inspiração em Is 51 e 65,
essa cidade de Davi (2Sam 5,9; 24,25; 1Rs 6,2; Sl 122) é a cidade de Deus, não a cidade dos homens.
    Não se trata da cidade dos Jebuseus conquistada por Davi e seu bando (2Sm 5,6-10; 1Cr 11,4-9), também não é a futura capital do povo messiânico (cf. Is 2,1-5; 54,11; 60; Jr 3,17; Sl 87,1). Na Jerusalém histórica, atual, o Espírito Santo inicia a missão da Igreja cristã
 (At 1,4.8; 2,1-13; 8,1.4). A Jerusalém celeste, a cidade de Deus não procede da cidade de Davi, da Jerusalém histórica, mas de Deus. Em Is 60 e Ez 40 trata-se da Jerusalém atual, reformada, reconstruída e embelezada. O arquétipo de sentido pode ter inspiração nesses e outros textos veterotestamentários, mas a Jerusalém de João e a de Paulo (apócrifo) é celeste.
    O autor vê uma cidade substituindo a outra, porque a primeira passou, mudou, sumiu.      Onde será instalada essa cidade, ele não define, apenas que ela desceu dos céus como a cidade de Deus.
    O vidente é conduzido à cidade de Deus por um dos sete anjos (Ap 21,9) das pragas (cf. 8,7-21) para ver a cidade situada sobre o monte.
A Jerusalém que João vê e descreve é descida do céu (21,10; cf. 21,2)

*(9) A conclusão dessa descrição no v. 25 se aproxima da cidade do Messias, pois ele reinará com justiça e inspiração do Espírito de Yahweh. O seu reinado estabelecerá a justiça e todas as criaturas conviverão numa harmonia paradisíaca (Is 11,6-9).



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Nova Jerusalém: a Cidade de Deus, de Cristo - Parte 04




A Descrição da Cidade de Jerusalém Ez 48,30-35.




    As portas da cidade teriam os nomes das tribos de Israel, em sinal de saudade e memória do passado (48,31). Três portas ficarão ao norte (Rúben, Judá e Levi). No lado leste também haveria três portas (José, Benjamim e Dã). No lado sul haveria três portas com os nomes de Simeão, Issacar e Zabulon. Do lado Oeste estariam as portas com os nomes das tribos de Gad, Aser e Neftali. O comprimento dos muros seria de um quadrilátero com quatro mil e quinhentos côvados.
    O nome da cidade dado pelo profeta seria “Yahweh Sham”, isto é, Javé está lá. No decreto de Ciro, o retorno dos exilados tinha uma razão fundamental: Javé não tinha ido para o exílio, mas tinha ficado na cidade e os que quisessem adorá-lo teriam que voltar para a cidade e reconstruí-la. “Assim fala Ciro, rei da Pérsia: Yahweh,, o Deus do céu, entregou-me todos os reinos da terra e me encarregou de construir-lhe um Templo em Jerusalém, na terra de Judá. Todo aquele que dentre vós, pertence a seu povo, Deus esteja com ele e suba a Jerusalém, na terra de Judá, e construa o templo de Yahweh, o Deus de Israel – o Deus que reside em Jerusalém” (Esdras 1,2-4).
    Se o Deus dos judeus ficou em Jerusalém, no exílio não havia como louvá-lo, bendizê-lo e adorá-lo. O salmo histórico dos exilados pode soar como uma realidade que move o coração e a razão para momentos tristes da vida: “À beira dos canais da Babilônia nos sentamos e choramos com saudades de Sião (Jerusalém); nos salgueiros que ali estavam penduramos nossas harpas. Lá, os que nos exilaram pediam canções; nossos raptores queriam alegria – „Cantai-nos um canto de Sião!‟ Como poderíamos cantar um canto de Yahweh numa terra estrangeira? Se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que me seque a mão direita. Que me cole a língua ao paladar caso eu não me lembre de ti...” (Sl 137, 1-6).

    A visão da cidade de Jerusalém parte de uma imagem ou de informações que o profeta já conhecia. Os exilados tinham muita saudade de sua terra e sua cidade, e pior, sabiam que estava em ruínas. A cidade de Jerusalém está associada à terra, à pátria, ao lugar de morada confrontados com o desterro, o exílio e a consciência de culpa. Esperar pelo fim do exílio e sonhar com uma nova oportunidade de reconstruir os sonhos para si e para os seus não era uma visão, mas um sonho real, acalentado a cada noite mal dormida e a cada dia de trabalho escravo. A Jerusalém de Ezequiel 40-48 se aproxima da visão de Isaías 62.66.

Continua na parte 05

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A Nova Jerusalém: a Cidade de Deus, de Cristo - Parte 03







     As medidas tomadas por Esdras e seu grupo foram mais na ordem sociológica e política do que religiosa. O caos social se instaura ao redor de Jerusalém com o repúdio de muitas mulheres e seus filhos. Muitas delas se retiram para a Samaria, umas com seus filhos, mas sem nenhum recurso econômico e outras com seus próprios maridos, os quais não aceitaram a determinação de Esdras.
    O segundo nível de leis da restauração foi o acesso ao templo. Os estrangeiros não poderiam mais passar da parte externa para dentro. Os sacerdotes que desempenhariam as funções seriam exclusivamente sadoquitas, como encontramos na própria especificação de Ezequiel: Os levitas serão a classe de sacerdotes que servirá no templo, eles serão responsáveis pela matança dos animais para o sacrifício e oferecerão a gordura e o sangue (Ez 44,10-31). Esse texto mostra como o sacerdócio levítico foi se impondo na tradição pós-exílica, mas a sua hegemonia foi construída com muitas lutas e revoltas de outros grupos como os de Coré, Datan e Abiran (Nm 16-17)(5).



A Descrição do Templo
    

    Ezequiel recebe a descrição, a localização e as medidas do novo templo através de uma visão (Ez 40-42). As dimensões, as proporções e tudo o que concerne ao mesmo estava de acordo com uma nova visão de povo, de culto e sacerdócio, mas a inspiração e o detalhamento ele encontra no livro dos Reis (1Rs 6-7)(6).
a) Quanto ao povo, as novas regras seriam claras: nenhum estrangeiro, incircunciso de coração (cf. Dt 30,6) e incircunciso de corpo entraria mais no átrio interno, passando da balaustrada (Ez 44,9);
b) Quanto ao culto seria executado segundo as determinações da pureza, do con-trole da origem, com medidas e pesos fixos e datas precisas (Ez 45,13-25);
c) Quanto ao sacerdócio seria exclusivo dos levitas (Ez 44,10-31). O sacerdócio, antes do exílio era uma função exercida por muitos, dentre os filhos de Aarão (cf. Ex 28,1).
Esses três tópicos seriam suficientes para marcar uma nova etapa na história de um povo. Até o exílio, o povo de Israel agregava gente de outras culturas e etnias sob a égide de Yahweh (cananeus, egípcios, moabitas e outros) formando o povo hebreu. Depois do exílio, surge o povo judeu, não mais caracterizado como o habitante de Judá, mas como uma raça que integra exclusivamente a linhagem genética estabelecida pela reforma de Esdras.
    


    As visões sucessivas do profeta a respeito das medidas do templo foram sendo passadas paulatinamente no vigésimo quinto ano do exílio (Ez 40,1) indicando que ain-da faltavam mais vinte e seis anos para a libertação, pois o exílio durou cinqüenta e um anos, sem contar todos os conflitos para o começo das obras de reconstrução que atra-sou a sua conclusão em algumas décadas (cf. Esd 5-7).
As medidas do templo seguem parâmetros semelhantes aos anteriores, isto é, do primeiro templo salomônico (1Rs 6-7). Keil e Delitzsch afirmam que Ezequiel separa a cidade do templo. O templo deve estar no topo da montanha santa, no centro de Canaã, numa reconstrução tipificada no primeiro templo de Salomão, enquanto a Jerusalém celeste não teria o templo, pois não precisa dele(7).
5 ARTUSO, V., A revolta de Coré, Datan e Abiran contra Moisés e Aarão, tese de Doutorado na PUC-Rio, 2007. O autor apresenta uma análise narrativa dos conflitos e dos castigos impostos aos revoltosos em virtude de sua não aceitação da exclusividade do sacerdócio levítico, imposto à força por Moisés e Aarão.
6 KEIL, C.V., DELITZSCH, F., “Ezequiel and Daniel”, Commentary on the Old Testament, v.9, p. 342-381.



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A profecia Maia: o novo Apocalipse?

    


    
Era grande a expectativa de toda a Terra quando da passagem do milênio. Os exotéricos esperavam que algo de extraordinário acontecesse, que uma nova era tivesse início, que a o planeta entrasse noutra frequência vibratória. Os ufólogos místicos, que uma grande frota de OVNIs surgisse de repente no céu diante da humanidade atônita. Os cristãos esperavam que o messias, Jesus Cristo retornasse e num piscar  de olhos os fiéis fossem arrebatados para a Nova Jerusalém. Mas nada disso ocorreu, o novo milênio até que chegou silencioso, sem dizer palavras e a Terra continuou seu rumo em volta do Sol. 
    Mas desde algum tempo a atenção de muitos tem-se voltado outra vez para as profecias. Desta vez não mantém seus olhos fixos no céu, mas esperam que algo estrondoso e importante acontecerá na Terra. As profecias dos maias fala entre outras coisas que o nosso sol se encontrá no cruzamento entre duas galáxias e vai se alinhar no centro da Via Láctea. Em exatos 22 de Dezembro de 2012 o Sol irá receber um raio sincronizado da Galáxia, algo muito poderoso que mudara todo nosso planeta.
Em suma, espera-se que grandes mudanças ocorrerão, guerras acontecerão por fortes motivos políticos. 
    Muitos se indagam: será este o apocalipse tão há muito esperado? O mundo vai ser transformado, mas para pior? Será o fim do mundo? 
    Mas a Bíblia, a Palavra de Deus, afirma de modo diferente. Os planos traçados nela para a humanidade são outros. Jesus afirmou: Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça". Portanto sejamos sábios, para não crermos em fábulas, crendo sim nas palavras dAquele que foi o primogênito da Criação de Deus e por Ele nada do que foi feito se fez: Jesus Cristo. 
Portanto não estejais aflitos e ansiosos, crede em Deus, crede também em Jesus, o Cristo das nações!