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Poema das Almas

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Vi almas perdidas pelo caminho... As pessoas passam cegas no caminho Elas falam do que não conseguem ver. Passam pelo caminho sem destino Buscando por sonhos loucos do poeta. As pessoas andam despercebidas De si, dos outros, do próprio caminho. Comungam apenas restos duvidosos de suas almas. Eu vi uma alma procurando  O que de bom haveria em si, E encontrou apenas sonhos esquecidos do poeta. Achou por bem seguir pelo caminho Guiados sabe lá por quem, despercebidamente.

Se alguém sofrer ainda amanhã

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Eu não entendo o sofrimento. Aquele sofrimento segredo, oculto, mistério. Não compreendo estas lágrimas sem explicação. Largadas quentes que escorrem pelas faces do sofredor. Ouvi e me voltei: eis um espírito que chorava perto de mim. Como se fosse sem sentido, sem nexo, sem revelação. Não entendo o sofrimento-sem-palavras-inexplicável. Ouvi soluços, num dia frio de inverno. Ouvi gemidos numa manhã alegre de sol naquele domingo. E continuei trocando os  passos pelas caminhos da Terra. Não sei quando vou compreender o sofrimento Contido entre as lágrimas-quentes-escorrendo-pelas-faces. Se o sofredor tem a resposta que me explique. Que a teologia me explique. Que o oráculo dos tempos me explique. Por favor é urgente, pois também já chorei  De sofrimento-e-de-lágrimas-incontinentes.

CEMITÉRIOS

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Naquele último jazigo não há quem profira palavra alguma. A lua fria amarelada (gema de ovo), repousa então lúcida e dormente. Não ouço vozes, não vejo vulto naquele campo onde o silêncio arquitetou sua morada. Nada de vento gélido assoviando ou almas de mão geladas me apalpando. (Sem arrepios, sem tremores, sem suor frio). Apenas silêncio, repouso, descanço... Eterna sesta que não finda nunca. Cursos 24 Horas Cursos 24 Horas - Cursos Online Cursos On line - Cursos 24 Horas

Seis Horas

São seis horas quando bate o sino. É quando voltam para casa O rico e o pobre, O pequeno e o grande. Então os seus sonhos se esfumaçam E onde os próprios se acabam. Se acabam no final do dia e com o dia. É a hora quando surge o sonhador E eu fico meditando: "se Nosso Senhor Não tivesse criado a noite cheia de estrelas E de escuridão sem fim, e de calmaria?" Então não se poderia sonhar Porque a vida seria um dia sem fim. Um dia apenas de duras realidades, Um dia em que morreríamos Porque não poderíamos sonhar. Eu tenho certeza que aquele interminável dia Torna-se-ia numa imensa noite Para todos os viventes... E nunca saberíamos como sonhar, Jamais sonharíamos com o amanhã.

Espinhos

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Às vezes vejo-me impotente entre os espinhos num imenso emaranhado de pontiagudas emoções. Luto para extirpar da alma este tormento... meus anseios convulsionam-se perdidos no fim dos meus dias. Verei algures um túnel iluminado? Um raio de esperança? Ou um "fio de ariadne" para guiar-me? Entorno a alma vazia de soluções perante mim, e revolvo-me agonizando nestes espinhos do meu viver. Eu nunca os desejei, mas aí estão. Jamais os invoquei, porém na noite escura me acharam. Ocultei-me no meu eu mais profundo e os pavores me cercaram, e os espinhos pontiagudos me encontraram finalmente.

ÁFRICA

Bem-vindos aonde a morte Plantou as suas rosas. Onde o sol furioso e indiferente Traz o espetáculo da tortura! Aí, sim a fome alarga Suas fronteiras. Uma longa noite sem estrelas Só, a Lua espreita As duas vogais da morte. Bem-vindos aonde as raízes Da dor e da miséria Feriram a terra negramente. Apenas os animais a desconhecem Por serem brutos ignorantes. Ali a pobreza semeou Suas sementes. Ali as correntes do destino Selaram a vida Dos pobres miseráveis.