segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Nova Jerusalém: a Cidade de Deus, de Cristo - Parte 06


A descrição da cidade no Apocalipse.






    A cidade celeste é preciosíssima como uma pedra de jaspe cristalino (21,11).
    A nova cidade tinha doze portas e doze alicerces. A maioria dos autores e mesmo as concordâncias bíblicas colocam essa descrição das doze portas e seus nomes em sintonia com Ezequiel 48,30-35. Ainda que possa haver uma analogia simbólica, em  Ezequiel não se trata de uma cidade celeste, mas da reconstrução da Jerusalém histórica. Parece haver uma diferença conceitual bastante significativa, visto que o profeta  Ezequiel, situado no exílio, sonha com a reconstrução da cidade histórica de Jerusalém, enquanto o vidente João transfere toda a percepção para outra realidade, ou seja, uma cidade onde não haja mais possibilidade de destruição, de dor ou conflitos. Ela será a cidade de Deus com o seu povo, isto é, todos os povos. Essa visão é includente, pois Deus será Deus e o povo será o povo, não mais segregado, mas unido. Assim, nos doze portões estarão inscritos os nomes das doze tribos de Israel (21,12), mas a muralha tinha doze alicerces e neles estavam os nomes dos doze apóstolos (21,14). De modo análogo aparece o texto do Ap 7,1-17 apresenta uma visão da salvação inclusiva, em duas partes.       Todos os que tiverem praticado a justiça dentre as doze tribos estarão salvos, e a grande
multidão, que ninguém podia contar, de todos os povos, tribos, línguas e nações que adoraram o Cordeiro e por ele lavaram suas vestes no seu sangue.
    


    O Apocalipse se afasta das visões proféticas veterotestamentárias enquanto ele entende que uma cidade de Deus não se sujeita a interpretações culturais, históricas ou alinhavadas no tempo. Deus transcende a História, os povos e as culturas, dessa forma a referência às doze tribos ou aos doze apóstolos é apenas uma questão de compreensão humana para a superação das barreiras segregatórias criadas pelas culturas e crenças.
    João, o vidente, tem diante de si uma realidade escatológica. Se Deus vai enxugar toda a lágrima e numa mais haverá choro ou luto (Ap 21,4; cf. Is 25,8; 35,10; Ez 37,27), então o “vale de lágrimas” estará terminado para os que vivem a justiça e a fidelidade aos mandamentos (Ap 13,15-17).
    O acesso a essa cidade não será mais estabelecido pelos circuncisos no corpo ou pelos geneticamente perfeitos, mas pelos que foram fiéis ao Cordeiro, pois o Immanuel (Is 7,14) será o Deus com eles (Ap 21,3). Essa cidade não encontra similaridade na terra, por isso é a cidade de Deus. Assim, a longa e tortuosa história chegaria ao fim, a humanidade está de volta à casa do Pai, o paraíso.
    A nova Jerusalém de João não está no horizonte de qualquer antítese senão a própria Jerusalém terrena. Todo o sentido da nova cidade está voltado para a adesão a Cristo, ao seu Evangelho: “Se alguém está em Cristo é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas, eis que se fez realidade nova” (2Cor 5,17).

(Continua na parte 07)

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