domingo, 5 de setembro de 2010

Nova Era - parte 3





RELÍQUIAS DO PAGANISMO

É natural sentirmos inquietos diante dos perigos da bruxaria e da irreverência do culto pagão diante da Natureza. Às vezes torna-se mais difícil analisarmos nossas próprias tradições religiosas. Hoje poucas pessoas parecem entender, ou não o consideram, o fato de que os ritos e as festas pagãs são a base de muitas festas tradicionais no mundo ocidental. Milhões de pessoas que se consideram cristãs vêm na semana santa e no domingo da ressurreição a tradição mais importante do ano. Sem dúvida, também na literatura não cristã encontramos reverência por este dia como "a mais importante das festas derivadas da Lua no calendário pagão", porquanto comemora a "celebração da primavera (no hemisfério Norte) da deusa Eostre ou Ostara" lá pela época do equinócio de primavera, em que as horas de luminosidade solar começam a sobrepujar as horas de escuridão" (Manual de días paganos, Pennick).
Com pouca investigação, você pode descobrir que "Ostera é uma deusa pagã alemã... da fertilidade e o renascimento" e que "para revelar as origens da celebração cristã da páscoa florida faz-se necessário buscar mais além do que a imagem de Ostera", a qual se associa com ovos e coelhos, símbolos da fecundidade e do renascer (Celebre a Terra: Um ano de festas na tradição pagã, Cabot, pág. 113). Outras fontes nos lembram que a deusa pagã da primavera emprestou seu nome a esta festa em certos idiomas. Por exemplo, "a palavra 'Easter' que se usa para nomear a semana santa [em inglês] não é uma expressão cristã... a palavra vem do nome de uma deusa pagã, a deusa da primavera. Easter é simplesmente uma forma mais moderna de Ishtar... que é outro nome de Semíramis da Babilônia" (Religião dos mistérios babilônicos, pág. 152).
Poucos parecem notar que "a festa de halloween [ou noite das bruxas] é uma manifestação moderna da festa pagã em memória dos mortos" (Pennick, pág. 19) No dia dos mortos, chamado sambain, que acontece no primeiro dia de novembro e marca o início do inverno no hemisfério Norte e o tempo em que os pagãos sentem que podem comunicar-se com os espíritos dos mortos. Nos países católicos, estas festas persisjtem com diversos nomes. O dia primeiro de novembro converteu-se no "dia de finados", em honra aos mortos e as almas dos que ainda não foram declaradas santas (ibidem, pág. 18)


O Natal foi descrito como "uma maravilhosa amálgama de tradições religiosas antigas e modernas, pagas, zoroástricas, judia, mitraica e cristã" (ibidem, pág. 133). Mesmo que a data 25 de dezembro supostamente assinala o nascimento de Jesus, nem este dia e nem mesmo os costumes e tradições que a rodeiam não tem nada a ver com Jesus Cristo nem com a religião bíblica. Ao contrário, as festividades do período natalino "representam o velho paganismo que o cristianismo - leia-se catolicismo - nunca extinguiu" (Costumes e tradições natalinas, Miles, pág. 161). o dia 25 de dezembro é uma data aproximada do solstício de inverno (o dia mais curto do ano), e é sagrado para as religiões pagãs. "Dentro da tradição romana, era a festa do
Sol Invicto" e no antigo Egito, "se afirmava que Nut, a deusa do Céu, dava à luz ao Sol no solstício de inverno" (Pennick, pág. 20). As tradições natalinas de festejar e trocar presentes vem da antiga festa romana chamada saturnalia, com sua saudação de "bona saturnalia" e também da festa romana do ano novo, o calendas, o 1º de Janeiro, que era associado a um comportamento desenfreado, algo como um carnaval (Pennick, pág.139).
Considerando o que foi dito acima, resta-nos indagar: Como e quando chegou a tradição cristã a guardar o dia 25 de dezembro como o dia do nascimento de Jesus?
Os historiadores reconhecem que a primeira celebração do nascimento de Cristo no dia 25 de dezembro "se deu em Roma em meados do quarto século AD... A primeira citação de uma festa de natal no dia 25 de dezembro encontra-se em um documento romano conhecido como o calendário filocaliano, que remonta ao ano 354 DC... Desde Roma, o natal se espalhou pelo Ocidente com a conversão dos bárbaros" (Miles, pág. 20-21). A Bíblia, claro está, não menciona a data do nascimento de Jesus. "A principal razão para escolher este dia mais provavelmente foi que coincidia com a festa pagã" que celebrava o renascer do Sol (ibidem, pág. 23).
No intuito de estimular a conversão dos pagãos a fé católica, os clérigos adaptaram costumes pagãos a sua religião dando novos nomes. O papa Gregório I, escrevendo no ano 601 DC, solicitou a Augustin de Canterbury para permitir que os anglosaxões pagãos conservassem as formas externas de suas velhas festas mas que as guardassem revestidos de um novo significado (Miles, pág. 179). Certo autor, meditando à respeito da carta do Pontífice, afirmou que "aqui vemos claramente a mentalidade do eclesiástico transgredindo" (ibidem).
O testemunho da história indica que a Igreja Romana primitiva adotou e adaptou práticas populares em um esforço para difundir a fé "cristã" encubrindo "os costumes pagãos com um cristianismo superficial" (ibidem, pág. 19). O historiador católico Will Durant reconhece isto claramente quando escreveu: "A cristandade não destruiu o paganismo, ao contrário, o adotou... Os mistérios gregos se trasladaram ao impressionante mistério da missa. Outras culturas pagãs contribuiram para este sincretismo. Do Egito tomaram a adoração da Virgem e do Menino e a teosofia mística originou o neoplatonismo, como também ao gnosticismo enegrecendo o credo cristão... Da Frígia chegou a adoração da Nossa Senhora, a grande mãe... O cristianismo - leia-se catolicismo romano - foi a última grande criação do antigo mundo pagão" (História de la Civilización, vol. 5, pág. 595).

(Extraído de revista "El Mundo de Mañana", tradução livre).

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