quarta-feira, 13 de maio de 2009

Soneto da Casa Abandonada






Eu nasci no Sítio Jatobá, zona rural do município de Bananeiras, Paraíba. Em 1978 meu pai comprou uma casa na cidade e fomos morar em Solânea, pertinho da nossa propriedade. O meu tio Geraldo casou-se e ficou tomando conta do sítio. Mas 26 anos depois ele também veio morar na cidade e o sítio foi vendido. A casa onde nasci agora é uma tapera abandonada caindo aos poucos, mas que a história vivida nela jamais tombará. Eu nunca esquerecei os momentos felizes (e infelizes também) que passei nela. Hoje escrevi este soneto:



Naquela casa vazia, abandonada
Ó, nem aos menos o silêncio restou.
Apenas de mim a saudade, mais nada,
Paira sobre a casa a sós em que habitou


O meu sonho atado à noite enluarada,
Em que luzidia minh'alma encarnou
Todos os sonhos duma vida e amou
Também a esta casinha desprezada.


Ficarás pra sempre ao relento.
Dia após dia outro alguém mendigarás
Consolando-te apenas o meu pensamento.


Sobre este solo em que teu corpo jaz
Pensando em mim a todo momento,
Sem fim meus primeiros passos guardarás.

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