quarta-feira, 13 de maio de 2009

A LENDA DE UM POEMA









Era uma vez um poema
que escrevi algum dia.
Do papel (A-quatro) em que o tal
se realizava fiz um aviãozinho
usando linhas retas para trabalhá-lho.


Depois lancei-o bem longe.
Ele rumou para o Norte,
Acertando em cheio a lua cheia
Onde vou morar.


Suas letras, suas frases, etc,
eram madeira, tijolo, areia e coisa-e-tal,
dos quais surgiu uma casa
para os meus futuros versos
repousarem calmos.
Ali estarão bem distantes.
Alheios aos murmúrios das cidades,
aos zig-zag das metrópoles errantes,
alheio aos abortos jogados nas lixeiras,
aos trânsitos nervosos de Nova Iorque
e São Paulo, aos trancos e barrancos das nações,
às emoções cor de sangue dos seus orientes.


Ali bem distante, indiferentes
aos descasos dos eleitos do povo,
dos falsos mestres sentados em seus tronos,
ali eles (os versos) regurgitarão
a balada dos hipócritas, dos espiritualmente
saciados, dos mestres das zanguizarras
de Washington e Bruxelas...bem longe
onde nada disso possa inspirar
o meu poema, então, redimido
de tudo isso, poetizarei em paz.

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