terça-feira, 26 de maio de 2009

Ínfima, Infinita Morte

Morte vívida, morte clara,
Plácida morte.
Audível morte, explosão de calma.
Morte, astuciosa morte.
Aspergindo meus entes de lágrimas copiosas.
Caiu do céu, belicosa morte
Que a vida buscas também.
Ó morte, ó sorte, ó cálice carmim!...
Que pages, que webes, que pastas
Ou arquivo caberiam tudo que sei sobre ti.
Morte que embalastes o corpo de um Santo,
Chegas cobertas de folhas de outono,
De frios invernos boreais perante mim.
Diga-me onde traças teu caminho perto de mim.
Mostra-me ao menos de onde surgistes,
Que mãos te teceram (se é que alguém te teceu).

Morte, copiosa morte, esta é a sorte
Dos que não tem sorte.
Morte suspirante, impensável morte.
Buscarás meu corpo e te apossarás
Dele convulsionadamente, buliçosamente,
Redimida sorte no fim dos meus dias.
O que parecia tristeza será alegria;
Todos os escuros vários sóis serão.
Morte, vestida de esporte
Desfilando altiva, esta é tua sorte.
Morte, austera morte, calorosa morte
Que este meu corpo
Não assombrarás.
Ó morte ínfima, infinita minúscula razão
Tens de existir, para que os pobres humanos
Angustiem o espírito.
Morte sem corte, sem norte, sem sorte, ó morte
No fim dos meus dias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário