sábado, 28 de março de 2009

Vaso Quebrado

(No dia em que o meu querido paizinho expirou e rendeu o seu espírito nas mãos de Deus.)

Eu, como cacos de um vaso quebrado qualquer,
Quem me observaria?
Que luz poderia brilhar no fim do meu túnel naquele momento?
Pois só absinto e ervas amargas sobraram para minha refeição.
Que luz do alto iluminará com seus raios dourados
Sobre este poema de versos insignificantes que nasci?
Um ancião mui avançado na idade
Se daria ao trabalho de ensinar-me profundos segredos do além?
Só assim minh'alma sossegaria por um tempo
E outra vez minha tristeza dançaria de alegria.
Um verbo ressoaria expressões de consolo.
Sim. Um verbo feito carne cujas sílabas
Compõem o eterno cântico da sabedoria.
Ele sim, poderia secar lágrimas quentes
Sobre o rosto desfigurado.
Como alcatéias de lobos loucos e furiosos
São meus pensamentos.
Bebe meu ser água pura da fonte?
Juntai os outros cacos deste mal-feito-vaso-quebrado.
Mas quem poderia reuní-los a fim de que belo vaso fosse?
A quem se indagou fugiram as palavras.
A quem se interpelou os ouvidos se fecharam.
Outra vez me vejo vaso
Quebrado, informe forma
De desunidos silêncios.

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