terça-feira, 10 de março de 2009

POEMA NAVEGANDO


Hoje eu abri e lancei meus olhares
sobre diversos sites (obra das mãos dos homens).
Eu li as crônicas da prole dos homens abastados.
Saciedade havia em seus mesas
E o brilho de ouro e pedras preciosas
Ornamentavam os seus apartamentos.
Para eles estava disponível uma senha (mistério)
Para acessar no recinto
Onde apascentavam seus rebanhos de sonhos.
Li que haviam casas como fortalezas
Bem vigiadas pelos seus fiéis sentinelas,
E de dia e de noite as protegem.
Vi os seus rostos sorridentes
E que andavam altivos pela avenida
Da grande cidade a quem chamavam
(outro mistério) "O coração do mundo".
Ali os seus mancebos filhos dos abastados
Passeavam fogosos dentro de seres
Os quais se moviam sobre quatro rodas
E tinha olhos como de fogo.
Para onde elas se viravam aquele monte de metal
as seguiam e não olhavam para trás.
Eis que se moviam velozes como relâmpagos.
Quem poderia detê-los?
Porém a sua ferocidade era detida
Pelos sinais luminosos (ora verde, amarelo ou vermelho)
Que surgiam diante deles pelas ruas.
Estes sinais não se moviam e mostravam aos seus montes
De metal o quanto eram frágeis.
(Mas, às vezes, as visões não eram reconhecidas,
Algum de seus néscios não as entendiam
E a morte era inevitável.
Um grito saia da boca dos desesperados.
Eis que de repente meus olhos pairaram
Sobre fatos terríveis que as crônicas relatavam.
Isto sim me entristeceu deveras.
O medo e a aflição, como grandes abismos,
Separavam as almas dos príncipes ricos
Daqueles que são desprezados até pela própria morte.
Havia lágrimas escorrendo pelas minhas faces
Ao deparar-me com aqueles textos.
Uma comoção apertou-me o peito.
E me perdi num labirinto de interrogações.
As fotos estampadas ao longo das crônicas
Falavam por si só: sofrimento, desespero, angústias...
Aqueles olhos extáticos, confusos,
Interrogavam-me insistentemente:
"-Porquê?... Porquê?... O que é isto?"
Procuramos "ajuda" mas onde estão os "servidores"?
Ah! De há muito já estão "desatualizados" e foram "deletados".
Os "chats de amizade" já não existem.
Então, quem nos "conectará" a "janela" aberta para a paz?
N "e-mail" da felicidade quem fará o "login"?
A "busca" pelo amor está cada vez mais escassa.
Por acaso há quem "pesquise" este "portal"?
Quem me dera ouvir que o blog ódio "expirou"!
E que a obra do bem já foi "finalizada", que ninguém
Mais sentirá dor, ou o frio da morte a apertá-lo!
E que o "site" do mal está "bloqueado" para sempre!
Estas foram profundas interrogações
De todos os que andavam tristes.
Eles esperavam um "clic" para que a felicidade
"Abrisse" o seu "aplicativo" e todos pudessem
Fazer o "download" do amor, da união entre todos!
Estas foram terríves visões que vi diante duma porta
Como de cristal. Dela saia um brilho intenso
Que cansavam os meus olhos.
Tudo isso vi e meditei diante de um "Rio" formado
De portentosas obras de concreto e aço,
E ornamentado de praias de águas
Maravilhosas e montanhas de pedra bruta.

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