quarta-feira, 4 de março de 2009

ADÃO E EVA


Num dado momento todos os sonhos passavam,
diante dos meus olhos.
Todas as ilusões ruiram sem prosperar,
mas os sonhos permaneceram.
Eva, tu eras o meu sonho bem possível.
Eras, de repente, a musa mais sensível,
eras de mim o poema mais sublime,
a estrofe mais plausível onde os versos
eram maçãs de ouro,
e as os versos, como árvores não proibidas.

De repente não era sonho
o que havia diante de mim
(carne da minha carne e ossos dos meus ossos).
Isto percebi.
Perfume de maçãs oriundos
das entranhas vermelhas do prazer.
Amores que surgiram no coração do Éden,
pólen de rosas celestiais
no mistério do teu ventre revelado.
Os quatro rios verteram
leite e mel dentro de nós,
e o eterno sonho do amor
tão vorazmente brotava
nas multifaces da terra
abençoada.

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